A reconstrução de Rider Zuchi pelo ouro Mundial de Jiu-Jitsu 2026
FloGrapplingInterviewJun 18, 2026

A reconstrução de Rider Zuchi pelo ouro Mundial de Jiu-Jitsu 2026

Durante mais de dois anos, Rider Zuchi conviveu com uma realidade que poucos atletas aceitariam por tanto tempo. Para chegar ao topo do Mundial de Jiu-Jitsu em 2026, na divisão de pesados, Rider superou as limitações de uma grave lesão no joelho, a rotina de treinos e competições lidando com dores constantes, restrições físicas e a sensação de estar distante do próprio potencial. Mas todos os detalhes viraram uma grande história para o aluno de Leandro Lo.

Quando finalmente passou pela cirurgia, em 2023, uma nova batalha começou: reconstruir o corpo e recuperar a confiança necessária para voltar ao mais alto nível. Mesmo apresentando sinais de evolução, o ouro mundial continuava escapando por detalhes. Entre 2022 e 2025, Rider parou nas semifinais nas quatro oportunidades consecutivamente. Ainda assim, a sequência de resultados serviu como prova de que o topo estava cada vez mais próximo.

A virada definitiva veio junto com a recuperação plena nos treinos e a mudança para a Team 6. Rider chegou ao Mundial de 2026 determinado a transformar a vontade dos últimos anos em título. Na Pirâmide de Long Beach, superou a revanche contra Léo Ferreira na semifinal e conquistou seu primeiro título mundial faixa-preta, após bater Nico Maglicic na finalíssima.

"Foi a melhor sensação que já senti até hoje", lembrou Rider. "Sonho com isso há muito tempo e foi muito melhor que nos sonhos. A primeira coisa que pensei é que realmente consigo. Agora dá para ganhar o segundo ano que vem."

Confira abaixo a entrevista completa com o novo campeão mundial dos pesados e acompanhe o melhor do Jiu-Jitsu na FloGrappling!


FloGrappling: Você passou um bom tempo lutando contra uma lesão complicada no joelho. Essa recuperação ainda foi um obstáculo para esse Mundial ou você estava 100% recuperado já? Seus treinos foram afetados pela lesão?

Rider Zuchi: Passei dois anos e meio lutando lesionado. Por esses anos, realmente sofria dia a dia nas sessões duras de treino, acabei ficando muito limitado e comprometido. Operei no meio de 2023 e, depois disso, foram praticamente dois anos e meio buscando performance nos treinos e me recuperando das limitações que a cirurgia deixa. Sinto que no Mundial de 2025 realmente voltei a me sentir bem e completo. Depois disso, entrei em um nível que jamais tinha alcançado na faixa-preta.

Foram quatro anos seguidos sendo parado nas semifinais do Mundial. O que você fez diferente em 2026?

Minha troca de equipe fez bem demais para mim. O Team 6 remete à minha essência e tudo que aprendi com meu mestre Leandro Lo: Treino duro, mas com felicidade e resenha boa, um puxando o outro a extrair o máximo e ter companheiros que vibram e querem sua evolução. Esse foi o diferencial. Sempre entro no tatame indiferente do que está acontecendo fora. Quando não dá, é que não deu mesmo. Dessa vez foi minha hora.

O que passou pela sua cabeça depois do bronze no ano passado? Se motivou mais ou sentiu o peso de ainda não ter alcançado o ouro em 2025?

No ano passado estava me reconstruindo, entendendo novamente meu corpo e ele começou a responder bem. Tive um primeiro dia ótimo de competição, ganhei de adversários duríssimos e tive a semifinal com o Adam Wardzinski, que estava em uma fase sinistra, no seu auge. Depois da luta, senti realmente uma diferença de ritmo. Ele já vinha de temporadas bem e eu me reconstruindo. Isso pesou muito no tom da luta, mas sabia que, se conseguisse manter a constância dos treinos, ia me dar bem no futuro. Graças a Deus deu tudo certo e, depois do Mundial de 2025, não tive mais nenhuma lesão séria que me fizesse parar de treinar.

O Léo Ferreira era um dos grandes favoritos este ano. Não só pela prata no Mundial 2025, mas por ter passado você no Brasileiro 2026. Como foi a revanche na semi do Mundial? 

Eu sabia que quem passasse dessa semifinal seria campeão. Tinha lutado com o Léo algumas vezes e perdido, mas sempre em lutas muito acirradas, na decisão e nas vantagens. A última luta, na minha mente, tinha sido muito contraditória, e isso me deu muito fogo de vitória porque queria muito o título do Brasileiro. Mas acredito que a história é escrita como tem que ser, e a semi do Mundial foi um bom momento para sair com a vitória, deixando a caminhada até o ouro mundial mais bonita.

E a final com o Nico Maglicic? Um australiano grande em estatura, de pernas compridas. Jogo que poderia ter te complicado, mas você foi lá e venceu com propriedade. Qual foi a receita?

Estava bem calmo, me sentindo presente na luta. Foi o momento que esperei a vida inteira para estar, então não pensei muito em quem passaria do outro lado. No decorrer do campeonato, queria mesmo fazer a final com o Felipinho Assis. Quando vi que passou o Nico, fiquei tranquilo porque ele é igualzinho ao meu parceiro de treino de anos, o Pedro Elias. O jogo dos dois é basicamente o mesmo. Então estava muito treinado para esse tipo de guarda. Quando peguei as costas e olhei o relógio, vi que realmente ia ganhar. Morri no gás na hora! Fiquei preocupado porque não conseguia mais me mexer no fim, mas deu tudo certo.

E sobre a homenagem ao Leandro Lo? Você sonhava em vencer o Mundial e dedicar a ele ou foi algo que surgiu ali na hora?

Leandro sempre foi meu ídolo e por quem tenho muita gratidão. Pensei muito que essa homenagem seria no Brasileiro, mas Deus escreveu minha história certinho para fazer a homenagem na casa dele, a Pirâmide. Foi muito irado. Na verdade, faltou uma cervejinha ali para ficar do jeito que o mestrão merecia, mas fiz questão de abrir umas após receber a medalha. 


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