Há pouco mais de um ano, Sabrina Gondim enfrentava um cenário que faria muitos atletas repensarem a própria carreira. Depois de romper os ligamentos do joelho e passar por duas cirurgias em sequência, a faixa-preta viu sua trajetória ser interrompida justamente quando acreditava estar pronta para dar o próximo passo.
Contudo, ao invés de abandonar os sonhos, ela transformou os obstáculos em combustível. Meses após retornar aos tatames e poucas semanas depois de disputar o cinturão do UFC BJJ, Sabrina chegou ao Mundial da IBJJF de 2026 convencida de que aquele seria o seu momento, e saiu da Pirâmide de Long Beach com o título mais importante da carreira, o ouro do adulto faixa-preta no peso-pena.
A história da representante da Fight Sports é de superação total. Mesmo com seu nível técnico que a colocava entre as favoritas, outros nomes de peso estavam no páreo e tinha mais chances que a atleta de João Pessoa. Rechaçando as maiores apostas da divisão de peso leve, Sabrina passou por campeãs mundias como Mia Funegra e Gabi McComb caminho do título, para então derramar lágrimas de satisfação ainda no tatame.
"Só conseguia pensar que estava realizando o maior sonho da minha vida", lembrou Sabrina. "Vieram à mente todos os desafios, sacrifícios e obstáculos que enfrentei. Minha mente repetia: 'Eu consegui'. As lágrimas foram a prova de que nunca deixei de acreditar que esse dia chegaria."
Confira nas linhas abaixo as lições de Sabrina para que você também dê a volta por cima, no Jiu-Jitsu e na vida.
FloGrappling: Mesmo encarando grandes desafios com e sem kimono no último ano, lutando no The Crown e pelo cinturão do UFC BJJ, você deu a volta por cima, bateu os principais nomes da divisão e chegou no título. Qual foi o principal combustível da superação no tatame?
Sabrina Gondim: Nunca perder de vista o meu objetivo. Independentemente dos resultados ou dos desafios que apareceram no caminho eu continuei acreditando no trabalho que estava fazendo. Sempre soube do meu potencial, e isso me motivou a seguir em frente até alcançar esse título. Além disso, a mudança para a Fight Sports foi muito importante nessa trajetória. Foi uma academia com a qual me identifiquei muito, e o professor Cyborg teve um papel fundamental em fortalecer minha confiança. Ele sempre acreditou no meu potencial e me ajudou a chegar no Mundial mentalmente preparada para conquistar essa vitória.
Qual a luta você achou mais complicada na sua corrida do ouro? Vencer a badalada Mia? A decisão contra a Giovanah ou passar a guarda da experiente McComb?
Todas as lutas foram difíceis, foram quatro guerras, mas acredito que a luta contra a Mia tenha sido a mais complicada. Ela é uma atleta muito técnica e está sempre buscando a luta, impondo um ritmo alto o tempo todo. O que tornou uma luta dinamica.
Qual o recado você deixa pro atleta que se abala pelos reveses ao invés de seguir em frente, sem fraquejar, na busca dos seus maiores sonhos?
Não desista por conta de um momento ou resultado ruim. Enfrentei lesões, cirurgias e momentos difíceis, mas continuei acreditando no meu trabalho. Muitas vezes, aquilo que parece um atraso acaba sendo exatamente o que te prepara para conquistar algo ainda maior.
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